Vet We Care / Blog Vet We Care /Newsletter Vet We Care: Raiva – O que todo veterinário deve saber
Raiva - O que todo veterinário deve saber
Download arquivo completo
Em breve, você receberá o conteúdo diretamente no seu e-mail
Blog: Raiva em Animais – O Que Todo Veterinário Deve Saber
A raiva é uma doença viral zoonótica de extrema gravidade, com quase 100% de letalidade. Afeta animais de sangue quente, sendo transmitida pela saliva de animais infectados. A vacinação e o manejo adequado são as principais estratégias para controle e prevenção. Neste blog, abordaremos as características da raiva, os principais sintomas, métodos de diagnóstico e medidas preventivas para proteger tanto os animais quanto a saúde pública.
O Que é a Raiva?
A raiva é causada pelo vírus da raiva, do gênero Lyssavirus e família Rhabdoviridae. Trata-se de um vírus neurotrópico, ou seja, que ataca o sistema nervoso central. O vírus da raiva é mantido por várias espécies, sendo os morcegos e cães os principais reservatórios no Brasil. Uma vez nos nervos periféricos, ele viaja pelo sistema nervoso até atingir o cérebro e as glândulas salivares, de onde é eliminado e transmitido.
Variantes do Vírus: No Brasil, foram identificadas cinco variantes principais, sendo duas em cães e três em morcegos. Essa diversidade de variantes direciona os programas de vacinação e controle da raiva em animais domésticos e silvestres.
Principais Formas de Transmissão
A transmissão da raiva ocorre principalmente pela mordida de animais infectados, que libera o vírus presente na saliva diretamente no tecido do hospedeiro. Outras formas, como arranhaduras e lambeduras de mucosas, são raras, mas possíveis. Em casos específicos, a transmissão pode ocorrer por aerossóis, embora seja extremamente rara.
Espécies Afetadas: Todos os mamíferos são susceptíveis ao vírus, mas os cães, gatos e morcegos são os mais comuns. Animais como guaxinins, gambás e coelhos também podem ser vetores, enquanto gatos tendem a ser mais resistentes a algumas variantes virais.
Sintomas da Raiva em Cães e Gatos
A raiva se manifesta em duas formas principais: furiosa e paralítica.
Forma Furiosa:
- Dura de 1 a 7 dias, com sinais de agitação, fotofobia e comportamento agressivo.
- Os cães e gatos podem atacar objetos, outros animais ou pessoas sem provocação.
- Em gatos, é comum observar comportamentos erráticos e compulsivos, com tentativas de morder qualquer objeto em movimento.
Forma Paralítica:
- Manifesta-se com paralisia progressiva, que evolui para falência respiratória e óbito.
- Mais comum em casos de infecção por variantes de morcegos, com progressão rápida da paralisia até o óbito.
A evolução dos sintomas é rápida, com a morte ocorrendo geralmente em até uma semana após o início dos sinais clínicos.
Diagnóstico da Raiva
O diagnóstico definitivo da raiva é realizado post-mortem, utilizando exames de imunofluorescência e imuno-histoquímica do tecido cerebral. Em seres humanos, exames de pele e saliva também são possíveis, mas não são amplamente disponíveis para animais.
Principais Métodos Diagnósticos:
- Imuno-histoquímica e imunofluorescência direta: Considerados os métodos mais confiáveis.
- Sorologia: Útil para verificar a eficácia da vacinação e realizar o controle de anticorpos antes de viagens para países livres de raiva.
É importante lembrar que não há imunidade natural contra a raiva, tornando a vacinação um componente essencial no controle da doença.
Prevenção e Vacinação contra a Raiva
A vacinação é a medida mais eficaz para prevenir a raiva em cães e gatos, interrompendo a transmissão da doença em áreas urbanas. A imunização começa a partir dos três meses de idade, com reforços anuais.
Vacinas Disponíveis:
- No Brasil, vacinas de vírus vivo atenuado e recombinantes são utilizadas. Embora eficazes, as vacinas podem causar efeitos adversos em alguns casos, como reações inflamatórias locais e, raramente, encefalomielite.
Controle Populacional:
- A vacinação em massa e o controle de cães e gatos de rua contribuem para a redução da raiva urbana.
- Nos últimos anos, a incidência de casos de raiva em animais domésticos tem diminuído devido a campanhas de vacinação regulares e ao aumento da conscientização pública.
Imunização Pré-Exposição para Veterinários:
- Veterinários e outros profissionais expostos ao vírus devem ser vacinados preventivamente. A imunização consiste em três doses, com monitoramento sorológico periódico para verificar a imunidade.
Recomendações para Veterinários
Veterinários têm um papel crucial na prevenção e educação sobre a raiva. Eles devem informar os tutores sobre a importância da vacinação e estar atentos aos sintomas neurológicos, como alterações bruscas de comportamento e paralisia, que podem sugerir raiva.
Procedimentos em Caso de Suspeita:
- Quarentena ou Eutanásia: Em animais com sintomas suspeitos, a quarentena pode ser indicada para observação, mas a eutanásia e exame do tecido cerebral podem ser necessários para confirmar o diagnóstico.
- Notificação: Todo caso suspeito deve ser notificado aos órgãos de saúde pública para monitoramento e controle da doença na região.
Perguntas Frequentes
1. Como saber se um animal pode estar com raiva?
Animais com raiva apresentam comportamento alterado, podendo se tornar agressivos ou apresentar paralisia. A confirmação, porém, só é possível com exames laboratoriais específicos.
2. A vacinação contra a raiva protege completamente o pet?
Sim, a vacinação regular é altamente eficaz contra a raiva. No entanto, reforços anuais são essenciais para manter a proteção.
Conclusão
A raiva é uma doença grave e fatal, mas completamente prevenível com a vacinação. Com o aumento das campanhas de vacinação e o monitoramento dos profissionais veterinários, é possível manter a raiva sob controle. Se o seu pet ainda não está vacinado, procure um veterinário e ajude a prevenir essa doença. E, se você é veterinário, não deixe de se proteger com a imunização pré-exposição.